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Dívida milionária: O caso das árvores e a gestão financeira do Corinthians
Por Redação FuTimão em 03/12/2024 12:09
Déficit milionário: o imbróglio das árvores
O Sport Club Corinthians Paulista, em processo de reorganização de suas obrigações financeiras ? com suas contas protegidas judicialmente por dois meses ? apresentou uma lista completa de credores. Entre eles, destaca-se uma dívida significativa, de R$ 16 milhões, com o Governo do Estado de São Paulo. Este montante representa o custo de uma pendência antiga, um exemplo claro das dificuldades persistentes na administração financeira do clube.
A origem desse passivo remonta a 2001, quando o clube recebeu a autorização para construir seu Centro de Treinamento (CT) no Parque Ecológico do Tietê. Como contrapartida pela utilização da área, o Corinthians assumiu o compromisso de plantar 76.400 mudas de árvores no mesmo local, em um prazo de um ano.
O clube, no entanto, não honrou o acordo, solicitando sucessivos adiamentos para o plantio. Essa inércia resultou em uma ação judicial por parte dos órgãos estaduais, culminando em 2016 com uma ordem judicial para o plantio imediato, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
Dificuldades alegadas e a complexidade do projeto
Em sua defesa, a diretoria do Corinthians argumentou a impossibilidade de plantar a quantidade estipulada de mudas na área destinada, alegando falta de "espaço físico". Após negociações, conseguiu uma decisão judicial parcial, que alterou a localização do plantio para Salesópolis, um município na região metropolitana de São Paulo.
Além da questão espacial, o clube alegou dificuldades técnicas para executar o projeto. Em documento apresentado à justiça, os advogados do Corinthians descreveram a complexidade da tarefa:
"A recuperação daquela área envolverá a realização de inúmeras atividades preparatórias, entre elas o preparo do solo, controle de capim, coroamento de regenerantes e de mudas plantadas, controle de formigas cortadeiras, controle e retirada de espécies lanhosas com potencial invasor, podas para entrada de luz e condução do fuste, construção e manutenção de aceiro, semeadura de espécies, adubação e até mesmo construção de estradas de acesso para que maquinários possam adentrar no terreno".
A defesa do clube prosseguiu, enfatizando a discrepância entre a obrigação e as atividades principais da instituição:
"A complexidade para a execução do projeto, evidentemente, foge do core business do clube, cujas atividades desenvolvidas estão precipuamente relacionadas à prática do desporto ? especialmente, o futebol profissional, que é a fonte de renda para a manutenção das atividades cotidianas".
Multa acumulada e o impacto financeiro
A falta de cumprimento da decisão judicial resultou no acúmulo da multa diária de R$ 5 mil, que, até o momento, soma R$ 16 milhões. Este valor, segundo o clube, é excessivo e representa um fardo considerável para as finanças já debilitadas da instituição.
Em recurso apresentado em 2023, durante a gestão de Duílio Monteiro Alves, a defesa do Corinthians questionou o valor da multa e reforçou o compromisso do clube em solucionar a pendência ambiental:
"Preocupa, e muito, que a multa diária fixada por Vossa Excelência ainda esteja ativa ? muito embora seja discutível o marco a quo, pelas razões já expostas nestes autos. O réu vem demonstrando estar imbuído na solução definitiva da obrigação, empregando ingentes esforços para a consecução da reestruturação ambiental da área".
A situação demonstra a necessidade de uma gestão mais eficiente e transparente dos recursos financeiros do clube, evitando que compromissos assumidos se transformem em passivos milionários e prejudiquem ainda mais a saúde financeira do Corinthians .
Conclusão: lições da gestão financeira corintiana
O caso da dívida milionária por plantio de árvores expõe fragilidades na gestão financeira do Sport Club Corinthians Paulista. A falta de planejamento, a dificuldade em cumprir acordos e a consequente acumulação de multas, geram reflexos negativos na saúde financeira do clube. A análise deste caso serve como um alerta sobre a importância de uma gestão mais eficiente e responsável, com foco na prevenção de problemas futuros e na transparência na utilização dos recursos.
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