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Suspensão de Investigação no Corinthians: Detalhes e Implicações
Por Redação FuTimão em 27/11/2024 18:30
Questionamentos e Reações à Suspensão da Auditoria
A interrupção da investigação da EY pelo Corinthians, menos de um mês após sua contratação, gerou uma série de questionamentos e reações. A empresa de auditoria e consultoria havia sido incumbida de apurar possíveis irregularidades no contrato de patrocínio com a VaideBet. A decisão de interromper os trabalhos, tomada após reunião entre o presidente Augusto Melo e a diretoria, foi comunicada oficialmente à EY em 18 de junho de 2024, por meio de um e-mail assinado por Luiz Ricardo Alves (Seedorf), então diretor-adjunto financeiro do clube. O conteúdo do e-mail, obtido pelo ge, determina a suspensão de "todo e qualquer trabalho em andamento".
A decisão de cancelar a investigação gerou um debate acalorado, com diversas partes envolvidas apresentando suas justificativas. A falta de transparência oficial sobre os motivos que levaram à suspensão agravou a situação, alimentando especulações e críticas.
A reportagem, buscando esclarecer os fatos, entrou em contato com diversas figuras-chave envolvidas no processo. As respostas obtidas, contudo, foram em sua maioria evasivas ou contraditórias, aprofundando o mistério em torno do ocorrido.
Contexto da Investigação e o Contrato com a VaideBet
A EY já atuava como consultora do Corinthians desde o início da gestão de Augusto Melo, auxiliando na reestruturação financeira e administrativa do clube. A contratação do departamento forense da empresa, em maio de 2024, visava apurar especificamente o contrato de patrocínio com a VaideBet.
A suspeita de irregularidades no contrato surgiu após a revelação de que R$ 25 milhões do patrocínio haviam sido repassados como comissão à Rede Social Media Design, empresa ligada a Alex Cassundé, aliado de Augusto Melo durante a campanha presidencial do clube. A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar possíveis transferências financeiras para empresas de fachada, adicionando outro nível de complexidade à situação.
A EY, por sua vez, já havia iniciado a investigação, coletando documentos, e-mails e outras evidências. A interrupção abrupta do processo, antes da conclusão do trabalho, gerou grande inquietação entre os especialistas e o público em geral.
Divergências Internas e Custos da Investigação
Fontes ouvidas pela reportagem apontam para um descontentamento interno dentro da diretoria do Corinthians com relação à condução da investigação. Membros da diretoria expressaram a opinião de que não deveriam ser alvo de uma apuração interna.
O e-mail que comunicou a suspensão da investigação lista os seguintes membros do Corinthians como destinatários: Marcelo Mariano (diretor administrativo), Vinicius Cascone (então secretário-geral), e Leonardo Pantaleão (então diretor de negócios jurídicos), além do presidente Augusto Melo e representantes da EY.
Em suas declarações, Vinicius Cascone atribuiu o cancelamento a uma recomendação do departamento jurídico da época, além de mencionar insatisfação de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo. "Foi uma orientação do diretor jurídico na época, que foi acatada pelo presidente Augusto. O presidente do Conselho Deliberativo também se mostrava insatisfeito com o contrato", afirmou Cascone. Leonardo Pantaleão, por sua vez, questionou o alto custo do serviço da EY, argumentando que a Polícia Civil já investigava o caso gratuitamente.
Reações e Implicações da Decisão
O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, também se manifestou sobre o caso, alegando ter alertado, informalmente, sobre a possível incompatibilidade do CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) da EY com o tipo de investigação em questão. "Adverti lateralmente em um e-mail, face notícias da imprensa, que eles não tinham CNAE para proceder investigações. Nunca pressionei a diretoria a fazer qualquer coisa", declarou Tuma.
Marcelo Mariano, diretor administrativo, alegou que o assunto estava sob responsabilidade do departamento jurídico e preferiu não comentar. A falta de respostas claras e consistentes por parte dos envolvidos aprofunda o clima de incerteza e reforça as suspeitas de que a suspensão da investigação possa ter sido motivada por interesses ocultos.
A decisão do Corinthians de interromper a investigação antes de sua conclusão levanta preocupações sobre a transparência e a gestão do clube. A falta de esclarecimentos oficiais, somada às declarações contraditórias dos envolvidos, deixa uma série de perguntas sem resposta e alimenta um ambiente de desconfiança.
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