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Adiamento da Votação de Impeachment no Corinthians: Segurança e Implicações

Por Redação FuTimão em 27/11/2024 19:19

Motivos do Adiamento e Segurança

A sessão para a votação do processo de impeachment do presidente do Corinthians, Augusto Melo, sofreu um adiamento. Inicialmente programada para a noite de quinta-feira no Parque São Jorge, a reunião foi reprogramada para segunda-feira subsequente.

Essa decisão, conforme documento assinado pelo presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, teve como justificativa principal a recomendação das autoridades de segurança pública. Tanto o Comando Geral da Polícia Militar quanto a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) declararam impossibilidade de garantir a segurança necessária durante a reunião na quinta-feira, optando por sua realização em um momento de menor fluxo de pessoas no estádio.

Embora houvesse pressão de alguns torcedores para que a votação ocorresse conforme o previsto, a prioridade dada à segurança dos conselheiros e da imprensa levou à alteração da data. O Parque São Jorge, livre do movimento habitual, proporcionará um ambiente mais seguro para a realização da assembleia.

Pressões e Oposição ao Impeachment

É importante destacar que a decisão de adiar a votação ocorre num contexto de forte pressão. A principal torcida organizada do clube, os Gaviões da Fiel, e inclusive atletas do elenco profissional manifestaram publicamente sua discordância com o processo de impeachment neste momento, considerando a disputa do Corinthians por uma vaga na Pré-Libertadores.

Essa oposição reforça a complexidade da situação e as diversas pressões que cercam o processo, que transcendem o âmbito puramente administrativo do clube.

O Processo de Impeachment e Seus Desdobramentos

Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, havia agendado a votação do impeachment de Augusto Melo para a quinta-feira. Caso o impeachment seja aprovado por maioria simples no Conselho, Augusto Melo será imediatamente afastado do cargo, sendo substituído temporariamente por Osmar Stabile, primeiro vice-presidente. A votação no Conselho será secreta.

A aprovação no Conselho, entretanto, não encerra o processo. Romeu Tuma Júnior precisará marcar uma Assembleia Geral, última instância de decisão, com a participação dos associados do clube. De acordo com informações da Gazeta Esportiva, essa Assembleia somente deve ocorrer em 2025, sem data definida ainda.

Enquanto a Assembleia Geral não se realiza, Augusto Melo permanecerá afastado. A decisão final da Assembleia definirá se a destituição será definitiva ou não. Se o impeachment não for aprovado pelo Conselho Deliberativo, o processo será arquivado e Augusto Melo continuará no cargo, embora a possibilidade de novos processos no futuro permaneça.

Investigações e Fundamentos do Requerimento de Impeachment

O processo de impeachment se baseia em investigações conduzidas pela Comissão de Justiça do Corinthians . Em 12 de agosto, a comissão apresentou um relatório ao Conselho Deliberativo sobre investigações que envolvem a gestão de Augusto Melo, focando em negociações com a VaideBet (antiga patrocinadora máster) e a Gazin (empresa de colchões).

Augusto Melo e outras figuras ligadas à gestão foram ouvidos pela Comissão de Ética. Além do presidente, Armando Mendonça (segundo vice-presidente), Rozallah Santoro (ex-diretor financeiro), Yun Ki Lee (ex-diretor jurídico), Fernando Perino (ex-integrante do departamento jurídico), Marcelo Mariano (diretor administrativo) e Rubens Gomes (ex-diretor de futebol) foram investigados.

A defesa de Augusto Melo foi apresentada em final de setembro. Paralelamente às investigações, um grupo de conselheiros, através do "Movimento Reconstrução SCCP", submeteu um requerimento formal ao Conselho solicitando a destituição de Melo, com mais de 50 assinaturas ? número mínimo exigido para apreciação.

Detalhes das Acusações e o Estatuto do Clube

O requerimento de impeachment, com mais de 50 assinaturas, cita principalmente o Artigo 106, "b" e "d", do Estatuto do clube, e a Lei 14.597/23 (nova Lei Geral do Esporte), que trata de crimes de lavagem ou ocultação de bens. O Artigo 106 define como motivos para destituição:

Art. 106 - São motivos para requerer a destituição do Presidente e/ou dos Vices: b) ter ele acarretado, por ação ou omissão, prejuízo considerável ao patrimônio ou à imagem do Corinthians . d) ter ele infringido, por ação ou omissão, expressa norma estatutária.

O documento de 19 páginas detalha ações da gestão atual, apontando potenciais problemas e condutas consideradas temerárias. Entre os pontos levantados estão:

-"Laranja" na intermediação da VaideBet. -Depoimento de Cassundé à Polícia, refutando ter feito intermediação. -Debandada de dirigentes, perda do patrocínio e prejuízo moral. -Depoimento de Armando Mendonça à Polícia, apontando omissão dos gestores. -Agressão de Augusto a um torcedor do Cruzeiro, em MG, com prejuízo a imagem da instituição.

Os conselheiros afirmam que o Corinthians foi "vítima de crimes cometidos pelos próprios dirigentes" e buscam o "ressarcimento do prejuízo em razão do pagamento errôneo à malfadada empresa que nunca intermediou a confecção do contrato com a antiga patrocinadora".

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